sábado, 26 de setembro de 2015

On 19:48 by Uanderson Aquino   No comments



A quebradeira na economia que deixa o brasileiro à beira de um ataque de nervos trouxe novamente ao mundo do samba o ensinamento do baluarte do Carnaval, Fernando Pamplona: “Tem que se tirar da cabeça aquilo que não se tem no bolso”. A frase do mestre virou tributo no enredo do Salgueiro, em 1986. E parâmetro hoje na cabeça dos mandachuvas das agremiações, que terão bem menos dinheiro para gastar no desfile de

Em média, cada agremiação do Grupo Especial gastou de R$ 6,5 milhões a R$ 8 milhões em 2014. Chegar a esses valores agora é um desafio. Já no Carnaval 2015 o governo do estado não contribuiu com os R$ 5,9 milhões, e a Petrobras — centro da operação Lava Jato — só repassou R$ 7,9 milhões, quando a expectativa era de R$ 12 milhões.

Superar as dificuldades financeiras é o grito de guerra do presidente da Liga das Escolas de Samba (Liesa), Jorge Castanheira. Ele garante repasse de R$ 5 milhões às agremiações, mas preocupa-se com a perda de receita. “A Devassa não renovou o camarote de R$ 3 milhões. Vamos tentar a Ambev. Já adiantamos as parcelas de direito de imagem. O prefeito Eduardo Paes vai destinar mais recursos, em um total de R$ 2 milhões, para cada escola”, explica Castanheira.

A queda dos índices econômicos impacta, mas não tira o maior patrimônio da União da Ilha: a alegria. Para o presidente Ney Filardi, o lema é ‘bom, bonito e barato’, que já foi enredo da escola em 1980. Para 2016, a vermelho, azul e branco vai levar à Sapucaí tema sobre a Olimpíada. “As esculturas dos Deuses do Olimpo do abre-alas custam R$ 120 mil. Estou esperneando para baixar o preço. Só compro qualquer coisa depois de pesquisa no mercado”, diz.

Foram tomadas outras medidas de contenção de despesas no barracão da escola. “Na hora do almoço, apagamos as luzes”, revela Filardi. Ele vai fazer à Liga uma proposta ousada: a aprovação de patrocínio para as alegorias. “Uma concessionária de veículos poderia nos ajudar. Afinal, ninguém faz carro com menos de R$ 500 mil."

Monstros sagrados na confecção de fantasias de luxo de 13 escolas — do Grupo Especial e de Acesso — os estilistas Leonardo Leonel, o Leozinho, e Leandro Santos, o Pedrão, dormem e acordam pensando no dólar. Pedras importadas da Austrália variam de R$ 2 a R$ 80, a unidade. Plumas que custavam R$ 900 valem R$ 1.600.

O negócio é reaproveitar acessórios. “É preciso deixar cada figurino, cada roupa, ainda mais bonito com criatividade”, sustenta Leozinho. O conjunto de fantasias do 1º casal de mestre-sala custou este ano R$ 120 mil. Mas, para 2016, a estimativa é de R$ 160 mil, mas a maioria das escolas não querem por mais de R$ 80 mil.

Segundo o carnavalesco Chico Spinosa, da Estácio, materiais muito usados, como cola, tiveram alta de preço. Ele defende nova estética, como fez em 2008 ao incorporar papel laminado nos desfiles, produto atualmente bem caro. “Abri mão de algumas coisas. Mas o trabalho é criativo e estético, com planejamento e cuidado”, define.

Conjugar o verbo improvisar é a meta em tempos de crise. Na preparação do Carnaval, o pouco dinheiro divide a opinião dos carnavalescos. Uns apostam que o uso de produtos alternativos pode ser a tendência nos desfiles, outros dizem acreditar que manter o tradicional é o mais seguro.

Campeão deste ano com a Beija-Flor, Laíla revela que bebe na fonte dos carnavais das décadas de 60 e 70 para atravessar a falta de verba. “Estamos trabalhando o lado artístico e fazendo fantasias com preço inferior. Será um carnaval artesanal, como era no início da minha carreira há 30 anos. E acredito que será comum”, analisa.

Alex de Souza, carnavalesco da Vila Isabel, prefere manter o padrão tradicional. Ele acha que a produção do desfile é dinâmica e é preciso confiar nos fornecedores e prazos. “Podemos pagar parcelado. Os alternativos, só à vista, o que é um problema”, opina.

Fonte: O Dia na Folia

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